Quando o negócio é o disfarce
Às vezes a pergunta que chega até mim é sobre negócio. Mas o que precisa de discernimento é a vida inteira.
Já sentei com alguém que mantinha onze frentes abertas ao mesmo tempo. Cada negócio novo parecia razão de orgulho. Na conversa, foi ficando claro que não era.
Não era ambição. Era fuga.
Cada frente nova era um jeito de não estar em casa. De não encarar o que estava rachando ali dentro. Expandir parecia crescimento, mas era o oposto: era a forma mais sofisticada de adiar.
Não levou muito tempo de conversa para essa pessoa enxergar isso sozinha. Ninguém precisou convencer — só houve espaço pra ela ouvir o que já sabia e não tinha coragem de nomear.
Descartou o que não sustentava mais. Ficou com o que realmente importava. Voltou pra casa.
O que aprendi, de novo, é isto: quando alguém está fugindo de alguma coisa, o mundo dos negócios oferece esconderijos infinitos — cada um deles com aparência de propósito. Discernimento é o que separa crescimento de fuga disfarçada de crescimento.